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Paróquia Nossa Senhora da Conceição Pacajus - Ceará

Vocação da Igreja – Missão e Santidade

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Por: paroquiapacajus

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Ao falar da origem e da missão da Igreja, o Santo Catecismo de São João Paulo II afirma que trata-se de um Projeto nascido no coração do Pai(759), prefigurada desde a origem do mundo(760), preparada na Antiga Aliança(761), Instituída por Jesus Cristo(762) e Manifestada pelo Espírito Santo(767), para ser consumada na glória (769).

Jesus instituiu a Igreja quando chamou os 12 primeiros (Mt 10,1-7), fundando-a sob o alicerce dos apóstolos, por isso, Igreja é Apostólica. Confirmou esta apostolicidade quando conferiu a Pedro, um dos apóstolos, a missão de dirigi-la (Mt 16,18). Assim, nasce o Magistério da Igreja, constituído pelo Papa e os bispos, sucessores dos Apóstolos, com um ordenamento: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações” (Mt 28,19).

Para cumprir fielmente a missão de ensinar, com autoridade, para que guarde o depósito da fé que lhe foi confiado (1Tm 6,20), Jesus soprou sobre os dozes, o Espírito Santo (At 2), por isso, a Igreja é manifestada e conduzida pelo Espírito Santo, com o encargo de “interpretar autenticamente a Palavra de Deus, escrita ou transmitida(Veritatis Splendor).

Foi o Magistério da Igreja quem definiu quais os livros que fazem parte do Cânone das Escrituras, por isso, a Bíblia católica conserva 73 livros.

Apresento esta pequena introdução, para falar mais um pouco da Exortação Apostólica do Papa Francisco sobre a Santidade. A Palavra do Papa, as Encíclicas, Declarações, Decretos, e outros escritos fazem parte do Magistério da Igreja. Através deste ofício, a Igreja cumpre a sua missão de ensinar.

Quando o Papa Francisco fala sobre Santidade, claramente a relaciona com a missão que Deus confiou a cada um de nós. A Santidade nos remete à nossa missão e reciprocamente, a nossa missão é buscar a santidade. A Santidade é o alicerce da missão.

Meditemos dois trechos de escritos do Magistério da Igreja:

Primeiro:

“Toda atividade, toda situação, todo compromisso, como, por exemplo, a competência e a solidariedade no trabalho, o amor, e a dedicação na família e na educação dos filhos o serviço social e político, a proposta da verdade na esfera da cultura, são ocasiões providenciais de um contínuo exercício da fé, da esperança e da caridade” (59).

Segundo:

“A Santidade é o rosto mais belo da Igreja” (9) […] “Para ser santo, não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade esteja reservada apenas àqueles que têm possibilidade de se afastar das ocupações comuns, para dedicar muito tempo à oração. Não é assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra(14). […] “Deixa que a graça do teu Batismo frutifique num caminho de santidade” (15).

Há alguma semelhança entre estes dois textos? Os dois falam da mesma temática? São de um mesmo documento?

Os trechos são de documentos diferentes do Magistério da Igreja. A semelhança profunda entre eles deixa clara a ação do Espírito Santo iluminado as ideias, o ensinamento, a ação e o pensamento coerente da Igreja ao longo dos séculos.

O primeiro foi escrito em 1988, por São João Paulo II, Trata-se do documento Christifideles Laici que aborda o papel dos leigos na Igreja e no mundo. Fala de missão e claramente, relaciona-a com a santidade.

O segundo foi escrito em 2018, 30 anos depois, pelo Papa Francisco. Trata-se da Exortação Apostólica Gaudete Et Exsultate sobre a chamada à Santidade no mundo atual.

Os dois conservam o pensamento do Concílio Vaticano II. O primeiro,20 anos depois. O Segundo, 50 anos depois.

Os dois escritos falam da missão do homem no mundo atual e indicam o caminho da Santidade, no próprio estado de vida, estabelecendo uma unidade entre vida e fé. Por isso, o Papa Francisco destaca:

“És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais (Guadete Et Exsultate,14)

O Magistério da Igreja é uma maravilha! Ao enviar os discípulos, Jesus afirma: “Eis que estarei convosco, todos os dias…” (Mt 28,20). Enviou o Espírito Santo sobre os Apóstolos e ele mesmo se faz presente conduzindo a Santa Igreja Católica com o Colégio dos Doze, o Papa e os bispos, sucessores dos Apóstolos.

Por fim, trago uma citação do documento 62 da CNBB, publicado em 1999 durante a 37ª. Assembleia Geral que trata também da Missão e do Ministério dos leigos, ou seja da vocação dos leigos e de todos os homens à santidade como mola propulsora da missão:

“Leigos e leigas fazem do fogão, do torno, da cátedra, da enxada, do bisturi…verdadeiro altar… Imersos no mundo do trabalho, encontram inspiração no testemunho de Jesus de Nazaré, o filho do carpinteiro e em Maria servindo a prima Isabel” (182).

São Paulo escreve que “a fé atua pelo amor” (Gl 5,6) e que “o amor é o o cumprimento da lei” (Rm 13, 8.10) e “o vínculo da perfeição” (Cl 3,15).

A perfeição que almejamos, consiste na santidade! Por isso, o Magistério da Igreja ensina que todos nós somos chamados à santidade, pois isto lhe foi revelado e confiado por Deus, portanto, amigos: “Sede santo em todas as vossas ações, porque vosso Pai celestial é Santo” (Lv 11,44).

Paz e bem!
Jaires Pinheiro